Não deixe a publicidade e as propagandas influenciarem o que você consome

Aprenda a barrar os apelos emocionais, a sedução e a conquista dos desejos que as publicidades e propagandas sabem fazer com maestria e que nos fazem gastar além do que podemos

O que nos faz optar por comprar um produto ou não? Porque escolhemos uma marca em detrimento à outra? Como se dão essas decisões?

São vários os fatores que interferem em menor ou maior grau as nossas escolhas de compra. Vamos explicar de uma forma bem simplista.

Por um lado, as nossas emoções influenciam as nossas tomadas de decisões. Nosso cérebro racional – o lobo frontal – que é onde fazemos as analises, o planejamento das ações, o raciocínio lógico – trabalha em conjunto com nosso sistema límbico que é o responsável pelas nossas emoções, comportamento, sentimentos, memória e aprendizagem. O racional se alimenta das emoções que a vida nos deu para elaborar as decisões, eliminando por exemplo atitudes que no passado trouxeram dor.

E cada um de nós e em diferentes situações tem cada região do cérebro trabalhando com intensidades diferentes. Por isso existem pessoas que agem de forma mais emotiva e outras mais racionais. Existem situações que nos levam a racionalidade enquanto outras reagimos mais emocionalmente.

Por conta disso, decidimos tomar aquela cerveja no fim de um dia estressante por exemplo. A lembrança de felicidade e o relaxamento que a bebida traz interfere nessa decisão.


E por outro lado, somos movidos por desejos. Desejo de ser atraente, ser aceito pelos outros, de ter um padrão de vida dos outros, de sentir felicidade, de ter prestígio, ser auto realizado, de ser feliz ou ter boa saúde por exemplo.

Por conta disso, optamos por comprar aquele perfume que um certo galã usa para nos fazer sentir uma celebridade e porque não conquistar o namorado dos sonhos?!

E esses desejos, não são sentimentos e emoções?

As influencias de ordem cultural (tente vender um kilt aqui no Brasil) , social (ser sócio de um clube por exemplo) e psicológica (crenças, atitudes, como vemos o mundo por exemplo), além dos tipos de consumidores (consumista, pão duro, desligado, antenado entre outros) e seus hábitos de compras (só compra em shopping, digital, pesquisa antes de compras e assim por diante) se juntam nesse caldeirão de emoções e desejos.

O que torna o mundo da publicidade e propaganda um mundo cheio de nuances, com segundas intenções, pegadinhas, armadilhas, inteligentes, prestativas, educadoras, engajadoras e formadora de opiniões.

Mas o fator que mais impacta o consumismo é o desejo.

Por isso a Educação Financeira bate bastante nesta tecla, saber diferenciar muito bem o que é necessidade e o que é desejo.

O que é necessidade e o que é desejo?

A questão que faz ligar o alerta é quando a propaganda e a publicidade instigam esses desejos, nos fazendo querer mais e mais. O que no final nos leva a frustação porque os desejos são infinitos e por isso nunca encontramos o fim.

Somos iludidos a achar que todos nossos sonhos e desejos serão atendidos pelo consumo. E não é assim que funciona.

Foto por Pixabay em Pexels.com

De posse dessas informações, os anúncios nos oferecem a solução para atender todos os nossos desejos e resolução de problemas. Nos seduzem para ficarmos bonitos, saudáveis e felizes. E o mais incrível é a capacidade que eles têm de instigar um desejo que antes nem imaginávamos que teríamos.


Quando o emocional fala mais alto:

Compramos o que nos agrada e não o que é útil.

Compramos o que desejamos e não o que precisamos.

Compramos por impulso e não por razão.

Compramos o que gera prestígio ou satisfação e não pela qualidade.

Compramos aquilo que é descartável rapidamente para comprar mais e mais e não o durável para comprar menos.


Que tipo de mundo você está comprando


Desta forma fomos e ainda somos moldados pelo modelo de consumo imposto pela propaganda e publicidade. Se a finalidade por parte das empresas é o aumento de venda porque não se valer deste vasto conhecimento e usar a favor na hora de lançar uma campanha de marketing?

Essa é a lógica usada na maioria das vezes pelas publicidades e propagandas.

Nada contra, afinal a nossa sociedade econômica atual é baseada no consumo. Necessitamos dele para sobreviver, do contrário como vamos nos sustentar?

A questão aqui é aprender a tomar as melhores decisões de compras de acordo com os objetivos de cada um, as suas necessidades, as suas condições financeiras. Respeitando o seu jeito de ser.

Além disso, o consumismo se continuar aos passos atuais, a longo prazo não vai mais se sustentar. Atualmente consumimos 74% a mais do que o planeta pode nos fornecer.

O caminho é encontrar um equilíbrio, de um lado consumidores mais cientes nas tomadas de suas decisões e do outro lado a indústria de marketing mais responsável.

E como formamos consumidores mais conscientes?

Entre outras conhecer os tipos de publicidade e propaganda existentes, qual é a intenção por traz. Veja a seguir algumas:

Se valer de uma pessoa respeitada

Colocar um especialista, uma celebridade, alguém de prestígio que valide a imagem que o produto ou marca é boa. Muito usado nas mídias socias (veja nosso artigo da semana que vem que vamos falar do poder dos influenciadores digitais).

Autoconhecimento e a Educação Financeira

Como não se influenciar: Ao comprar alguma coisa baseado no que outro disse (não importa quem) verifique se é isso mesmo. Faça outros tipos de pesquisa. E lembre-se o que é bom para um, pode não ser bom para mim. Saiba exatamente quem você é. Tenha autoconhecimento para discernir se o que o outro está dizendo realmente combina comigo.


Efeito manada

Quando todos estão comprando é porque é bom. Este efeito acontece não só no marketing, é inclusive um viés comportamental.

Repare quantas vezes várias pessoas já caíram em pirâmides financeiras, falsos gurus, produtos que são um engodo.

Como não se influenciar: Um montão de gente fazendo a mesma coisa não significa muita coisa. Tenha isso em mente.

Aqui vale o mesmo cuidado, nem sempre somos iguais a maioria. Saiba também quem você é, o que quer, o que precisa.


Eu sou igual

É o uso de pessoas como nós, meros mortais comuns. Ou situações do tipo gente como agente. Assim nos identificamos mais, nos colocamos na mesma situação e concluímos que este produto ou serviço é para mim também.

Ou ainda grupos de pessoa parecidas como nós, estilo de vida no qual nos identificamos e gostos parecidos que servem de passaporte para embarcar no mesmo produto ou marca.

Como não se influenciar: Tenha certeza de quais são as suas reais necessidades. Se pergunte: “O que está sendo oferecido está além do que vou usar?”. “Eu preciso realmente disso para carimbar quem eu sou?”. “Estou comprando algo que vou usar ou para me sentir incluída?”.


Apelo ao emocional e a fala de desejos

Uso de cachorro fofinho, crianças felizes, homem ou mulher sedutores, família feliz, cenário paradisíaco, são alguns exemplos que ativam o nosso lado mais emocional.

Casa linda, carro luxuoso, férias incríveis, roupa de celebridade, homem e mulher com corpo sarado, são exemplos típicos que atiçam nossos desejos.

Como não se influenciar: Tudo o que você consome existe um porque, uma necessidade por trás e desejos também. Identifique exatamente o porquê deste consumo, quais os motivos. Além disso faça um orçamento, tenha em mente o tamanho dos seus recursos financeiros e quais desejos você consegue consumir e seja fiel a eles.

Fazendo Acontecer, vai te ajudar.


E de uma forma geral saiba identificar os tipos de publicidade e propaganda que existem, dissecando a mensagem que está sendo passada e ficar focado apenas na marca ou produto e se ela atende aos seus objetivos. E com isso frear a impulsividade, focar na qualidade, no preço, no padrão econômico, nas consequências para o seu bolso, para o meio ambiente e para a sociedade.


Decida de acordo:

Com o seu orçamento;

Com seus objetivos;

Com o beneficio para o meio ambiente, a sociedade e a economia;

Desenvolva o Consumo Consciente.

E lembre-se

Objetos não nos transformam, somente são usados por nós.


CONEF – Educação financeira nas escolas: ensino médio: Bloco 1;

Não deixe as técnicas de venda influenciarem as suas compra.

Qual o sentimento do dinheiro?

Fontes:

Akatu – Caderno Temático dinheiro e crédito e o site – Dia da sobrecarga da Terra

CONEF – Educação financeira nas escolas: ensino médio: Bloco 1;

Goleman, Daniel phD. A Inteligência Emocional – A Teoria Revolucionária que redefine o que é Ser Inteligente. Objetiva. 1995

http://intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2011/resumos/R28-1010-1.pdf

http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao8.pdf

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