Aversão à Perda – Comportamento do Investidor I

Sentimos mais dor de perder do que prazer em ganhar. Um repúdio à perda.

Começamos uma série sobre os comportamentos do investidor que podem influenciar a tomada de decisões no que tange investimento. Comportamentos esses, que tornam o julgamento e o processo decisório irracional, com conotações emocionais e ideológicas o que leva à sucessivos erros.

Conhecendo esses comportamentos podemos trabalhar para bloquear tais comportamentos e tornar todo o processo decisório mais assertivo e racional.

A dor da perda nos influencia de tal forma que preferimos escolher algo que traga a menor probabilidade de perda possível. Este comportamento de ordem psicológica é chamado de Aversão à Perda (loss aversion, em Inglês) e é considerado um pilar comportamental do investidor ou das finanças comportamentais.

O que é maior? A DOR em perder R$ 1.000,00 ou a FELICIDADE em ganhar R$ 1.000,00. Sentimos mais perder os R$1.000,00, sendo que o resultado em ambos os casos é o mesmo.

Diversos estudos sobre comportamento indicam que isto acontece porque sentimos com muito mais intensidade a DOR de perder do que o PRAZER de ganhar.

E fazemos qualquer coisa para evitar a DOR. Tomamos remédios, cuidamos da saúde, cuidamos dos nossos relacionamentos, fazemos seguro, usamos roupas confortáveis, deixamos de viajar. Não queremos sentir a dor do medo, a dor da fome e da falta de dinheiro.

Damos pesos diferentes para a dor e para o ganho.

E assim agimos também com o nosso dinheiro.

Transportar este comportamento ao mundo do investidor significa fazer escolhas que evitam perder renda ou perder uma possibilidade de renda maior, custe o que custar. É ignorar a racionalidade e agir intuitivamente optando por uma decisão ou julgamento financeiro que racionalmente não é a melhor.

Como, por exemplo, escolher– intrinsecamente – o investimento que apresenta o menor risco dentre as opções por causa do medo da dor de ter prejuízo ou da dor de admitir que cometeu erros na escolha.

Ou ter atitudes de riscos altos para evitar perdas, como por exemplo, em situações de crise. Com medo de perder os rendimentos já conquistados – seguir a “manada” e vender as ações é a opção. Só que com a tal venda deixa-se de ganhar se optasse por manter o dinheiro onde estava.

Ou ao contrário; as ações estão caindo a um nível abaixo do valor que você comprou e o mercado indica que ela cairá mais ainda, porém você não vende porque neste valor atual você vai perder dinheiro. Só que esperando o valor vai cair mais ainda e o prejuízo será ainda maior.

E ainda pode escolher por investir em uma “oportunidade de ouro” com medo de que se não aproveitar esta oportunidade “imperdível” vai perder dinheiro. Só que com isso acaba correndo o risco de aplicar seus investimentos em golpes que prometem – falsamente – altos rendimentos.

E o que fazer para não seguir neste comportamento?

Adquira autoconhecimento. Conhece a ti mesmo para avaliar durante uma decisão se não esta agindo pela dor da possibilidade de perda. Não tome decisões quando estiver fortemente emotivo (estresse, fome, sono…). Invista na Inteligência Emocional;

Deixe bem claro quais são as suas estratégias de investimento, seus objetivos, quais os níveis de risco aceitáveis e siga-as. Leia estes artigos que facilitam estipular essa estratégia: Onde Investir o meu dinheiro? Os riscos; Onde Investir o meu dinheiro? O perfil; Onde Investir o meu dinheiro? O tempo; Onde investir o meu dinheiro? A Utilidade Marginal; Onde Investir o meu dinheiro? A diversidade e Onde Investir o meu dinheiro? A divisão.

Mantenha a diversificação, pois a rentabilidade boa de um pode amenizar “a dor” da perda da outra aplicação.

Quando receber uma proposta “tentadora” com ganhos acima da média, desconfie. Verifique se ela se encaixa na sua estratégia de investimento, verifique a idoneidade.

Invista em conhecer o mercado de investimento e seus fundamentos para adquirir confiança, principalmente para avaliar – racionalmente – quando é a hora de mudar de aplicação financeira. A incerteza leva ao medo. O conhecimento nos traz confiança, clareza e certezas. O risco passa a ser calculado e sua associação ao medo é menor.

O tempo também joga a favor, conforme se adquire experiência em investimentos, a aversão à perda é blindada.

Não fique verificando os rendimentos constantemente. Lembre-se que o ganho esta no longo prazo.

Ao reavaliar o portfólio dos seus investimentos siga a sua estratégia – principalmente os objetivos – definida.

Conheça outros comportamentos do Investidor.

Aversão à Perda – Comportamento do Investidor I

Excesso de Confiança – Comportamento do Investidor II

Lacunas da Empatia – Comportamento do Investidor III

Ancoragem – Comportamento do Investidor IV

Pensar a longo prazo – Comportamento do Investidor V

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