Ancoragem – Comportamento do Investidor IV

A primeira informação obtida sobre qualquer coisa funciona como nossa âncora. E se ela não for a melhor e estiver distorcida nos leva a tomar decisões erradas.

Continuamos nossa série sobre comportamentos do investidor que induzem ao erro.

Ancoragem (do termo em inglês anchoring) significa o ato ou efeito de ancorar, se apoiar; fazer uso de uma âncora para atracar um navio.

Levando essa analogia ao comportamento, a ancoragem neste caso se refere à nossa tendência a apoiarmos nossas opiniões, julgamentos, decisões somente nas primeiras informações que possuímos.

Essa informação prévia é a nossa âncora, onde baseamos as decisões futuras.

Lembra muito a frase “a primeira impressão é a que fica”. Temos uma predisposição em “acreditar” na primeira informação que recebemos como sendo a verdadeira e única e tudo se apoia nela.

Isso ocorre tanto com os investidores experiente quanto os inexperientes.

Nosso cérebro é bem complexo para entender porque isso acontece. Mas podemos simplificar. Este tipo de reação faz parte de como funciona o processo cognitivo. Nosso cérebro sempre busca trabalhar de forma racional. Economia de energia e rapidez. Para isso ele procura atalhos nos processos decisórios. E se ancorar – apoiar – em informações anteriores já processadas é esse atalho.

Desta forma o cérebro age minimizando tempo e esforço.

Porém, quanto mais informações prévias e DIVERSAS possuirmos, menores chances serão de apoiarmos na primeira, ou seja, o efeito ancoragem será reduzido.

Um exemplo bem simples. Queremos comprar uma camiseta. A primeira camiseta que encontramos custa R$100,00.  E uma segunda que custa R$ 140,00; concluímos imediatamente que esta segunda é cara. Mas, e se esta de R$ 140,00 for a primeira a ser vista, ela não será mais associada a uma camiseta cara.

Outro exemplo. Tempo estimado de espera para conseguir uma mesa em um restaurante. Em um determinado restaurante o tempo informado é de 20 minutos, e em outro é de 40 minutos. Porém depois de 30 minutos, em ambos os restaurantes, as mesas são liberadas. Os clientes do restaurante da espera de 20 minutas se encontram em péssimo humor afinal tiveram que esperar por 10 minutos além do previsto. Enquanto que os do restaurante de espera de 40 minutos estão tremendamente satisfeitos por serem atendidos tão rapidamente, a espera foi menor do que o previsto. Em ambos os casos o tempo de espera foi igual. Isso acontece porque cada um partiu de uma previsão diferente, cada um teve uma referência,  ancoragem diferente.

Ou ainda quando somos bombardeados com propaganda do tipo “promoção”, “preços reduzidos”, “descontos imperdíveis” antes de obter a informação de quanto custa o produto. Isto nos leva a achar que o preço de fato esta vantajoso.

A ancoragem esta muito presente ao tentarmos dar “valor” a um bem. Como avaliar quanto um imóvel custa? Em quais informações nos baseamos para chegar em um número.

Mas o que isso significa na prática para o investidor? Como ela pode influenciar a cometer erros.

Algumas situações.

Uma se refere quando fixamos (ancoramos) o preço de compra de um investimento, por exemplo, ações. A ancoragem esta exatamente no preço de aquisição. Esse valor será a sua base. Tudo que estiver acima será considerado caro e abaixo estará barato. Mas esse valor de compra estava barato ou caro? Se por exemplo a compra da ação ocorreu em alta e dificilmente o valor voltará ao patamar da compra, a decisão mais lógica é vender as ações para não perder mais. Como o preço ancorado é mais alto não estamos propensos a vender a um preço menor, mesmo sabendo que este valor será difícil de conseguir.

Outra situação é quando estamos expostos a informações na mídia de que o mercado está bom para compra de ações. Fixamos esta informação e saímos às compras. Mas nem todas as ações se encontram em um bom preço para comprar. O mesmo ao contrário. Se o mercado – notícias – divulga que a economia esta em crise, somos propensos a não comprar nenhuma ação e esperar melhorar. Porém o mercado sempre oferece oportunidades, é uma questão de ter conhecimento e ser racional.

E o que fazer para neutralizar?

  • Ter conhecimento que somos fortemente irracionais e que as nossas tomadas de decisões nem sempre são lógicas. Durante o processo decisório se questione. Em quais informações estou me baseando? Isto no leva à próxima dica;
  • Desenvolva a Inteligência Emocional, para agir de forma mais racional possível, o que também no leva a esta dica;
  • Evite ao máximo qualquer compra por impulso, isso vale também para compras consumistas (desde um tênis até um celular), não somente para a área de investimentos.
  • Quais são os meus valores de referencia que uso para julgamento. Compare-a com outros valores; ou seja;
  • Se informe, se informe. Obtenha o máximo de informações possíveis, de diversas fontes. E confronte entre si;
  • Evite informações simplistas, lembre-se o cérebro quer economia de tempo e energia, ele sempre vai buscar pela opção mais fácil. Decisões financeiras não são simples.
  • Tenha metas, objetivos. E tome as decisões baseada neste objetivo. Este é o foco.

Veja outros tipos de comportamentos que podem influenciar negativamente as decisões em investimento:

Aversão à Perda – Comportamento do Investidor I

Excesso de Confiança – Comportamento do Investidor II

Lacunas da Empatia – Comportamento do Investidor III

Ancoragem – Comportamento do Investidor IV

Pensar a longo prazo – Comportamento do Investidor V

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