Consumir e contribuir ao invés de possuir, todos ganham com a economia compartilhada. Para onde vai o consumo? II

Com a economia compartilhada mudamos a nossa forma de enxergar o consumo. Potencializa o poder do consumidor consciente, ajuda nosso bolso e toda uma sociedade.

Para quem acha que a vida se resume a comprar e comprar e que somos julgados pelo que possuímos, pode começar a ver o consumo sob outro olhar.

Acompanhe nossa série “Para onde vai o consumo?” e descubra as tendências das diversas formas de consumir que combinam com o consumo consciente.

Compartilhar, usufruir são as formas de consumir que vieram para ficar.


O que é economia compartilhada?

Também conhecido por Peer to Peer – P2P, o consumo na economia compartilhada se dá entre pessoas físicas, mas não exclusivamente, e não necessariamente há envolvimento de recursos financeiros. Essa forma de consumo explodiu com o uso e evolução da tecnologia oferecendo diversos formatos principalmente em forma de aplicativos e criação de inúmeras startups.

Este consumo pode ser uma troca, compartilhamento ou aluguel de bens e serviços, enfim o uso coletivo de um produto ou serviço sem ter que comprar pelo mesmo.

Ou seja, usar ao invés de comprar. Esta é a essência do consumo compartilhado. Quando queremos ou necessitamos algo por um determinado período ou momento não necessitamos mais comprar. Usa-se apenas pelo tempo necessário;

A economia compartilha casa muito bem com a nova visão sobre o consumo que passa a ter um outro significado não mais se associando ao ato de comprar, mas de:

Acessar bens e serviços em vez de possuí-los

E aí é que está o pulo do gato, os consumidores ganham porque conseguem consumir mais gastando menos, as pessoas de uma maneira geral que possuem objetos ou estão com tempo e capacidade disponíveis conseguem uma renda extra (que pode virar renda principal), pequenos negócios que encontram novas formas de trabalho e as inúmeras empresas de tecnologia.

E por fim ao meio ambiente, afinal um mesmo produto ou objeto é utilizado por mais pessoas, desta forma reduzimos o consumo de recursos naturais e tiramos um pouco da pressão sobre o planeta.

É uma excelente forma de otimização dos bens produzidos. Olhe em seus armários, quantas coisas foram compradas para serem usadas uma única vez?

Tudo se encaixa no consumo consciente.

Exemplos?

Dos mais conhecidos como os aplicativos de transporte, de delivery, aos aluguéis de quartos e casas por temporadas, passando por hospedagem de pets. Streaming de filmes, podcast e músicas, as áreas de coworking, moradias, doação de comida, hortas, compartilhamento de brinquedos, máquinas e ferramentas são alguns exemplos do poder desta economia e as diferentes maneiras que podem ser consumidas.

Um modelo que veio para ficar.


Economia compartilhada é uma resposta aos desafios do consumo no futuro.

Tudo conectado e caminhando para um mesmo ponto. Modo de viver, maneiras de enxergar o futuro, estilos de vida, formas de consumir. E todas têm o consumo consciente em comum. E a economia compartilhada responde a tudo isso.

Algumas pesquisas sobre as tendências de consumo apontam que os consumidores estão cada vez mais conscientes do seus impactos em relação ao meio ambiente e social, estão na busca de mais experiências do que posses, vão usar a tecnologia para consumo de forma massiva e por fim há uma tendência muito forte na busca de ser mais sustentável, isto inclui consumo de produtos e serviços sustentáveis.

Existe um perfil específico do consumidor do futuro, que foi detectado pela Consultoria WGSN, que é chamado de Comunitário. São predominantemente equilibrados, solitários, conscientes e focados na carreira. São os que abandonaram os centros urbanos na busca de mais tranquilidade e equilíbrio em cidades menores e estão interessados na comunidade onde estão inseridos, querem fixar raízes, são localistas (o local onde vivem é mais importante do que a carreira) e ambientalistas.

Para esse perfil de consumidores comprar diretamente da comunidade onde estão inseridos traz um impacto positivo para si e para todos, e isto entra o consumo compartilhado, a compra P2P potencializando o comércio local. E mais uma vez o consumidor ganha com preços mais reduzidos, menor necessidade de comprar coisas e de quebra consegue enxergar o impacto positivo que está causando.

Em uma só tacada, economia no bolso principalmente em tempos de crise financeira e inflação, nova fonte de renda em cenário de muito desemprego, diminuição do excesso de consumo aliviando a consciência e ajudando na postura mais minimalista onde o ser é mais importante do que o ter, praticidade em tempos do tudo para já, poupança dos recursos naturais cada vez mais escassos e ajuda nas comunidades cumprindo o seu papel social e cidadão. É desta forma que os consumidores enxergam o consumo compartilhado.

O consumidor está na busca de mais protagonismo, está saindo do papel passivo para o ativo. Ele entende que, enquanto consumidor, possui em suas decisões de compra o poder do futuro.

Compartilhar vai ir muito além do dividir, trocar, é se enxergar enquanto comunidade e buscar soluções em conjunto para viver melhor, é desta forma que podemos enxergar o futuro da economia compartilhada.

Compartilhar e contribuir.


Economia Compartilhada e a Educação Financeira

Esta nova forma de enxergar o consumo através do compartilhar que em um primeiro momento trouxe economia no sentido de desembolsar menos por coisas e serviços que necessitamos eventualmente ou raramente está mudando de nível.

É preciso entender que estamos falando em uma nova mentalidade, de usufruir em vez de comprar.

Uma mudança no estilo de vida que traz impactos positivos para o orçamento, porque possuir bens além do dinheiro necessário para comprar traz consigo muitos gastos para mantê-los. E muitas pessoas estão descobrindo exatamente isso, o custo de manter e isso estimula o compartilhamento para outras áreas.

Estamos descobrindo que muitas coisas que possuímos e usamos no dia a dia podem ser compartilhadas. Porque comprar um carro se posso apenas usufruir?

Agora num segundo momento o compartilhamento vai subir de nível, ele vai se generalizar trazendo cada vez mais benefícios para os consumidores. Por exemplo, os carros por assinatura.

E no final os gastos para se manter no dia a dia serão reduzidos.


Venha ver a série completa:

O consumo consciente assumindo o lugar do consumismo. Para onde vai o consumo? I.


Saiba mais:

Fontes

Consumo Colaborativo

Núcleo do Conhecimento

WGSN

Exame

Media Lab – Estadão

Preparing for tomorrow’s consumers today: The future of consumer markets (pwc.com)

Especialistas em comportamento apontam 10 tendências de consumo (consumidormoderno.com.br)

Nielsen-Book-2021-Portugues-210310-205350.pdf (abevd.org.br)

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