O Consumo de Experiências e a Experiência de Consumo, objetivos diferentes, mas motivos iguais. Para onde vai o consumo III

Os tipos de experiência vividos no consumo são o Consumo de Experiência e a Experiência de Consumo e estão entre as tendências do consumo. O primeiro carrega no DNA o consumo consciente enquanto que o segundo é Era da Experiência.

1. O novo significado para a palavra Consumo

Vimos que o significado da palavra CONSUMIR está mudando, antes sinônimo de possuir, ter ou comprar, para atualmente ACESSAR bens e serviços.

Antes relativo a uma negociação, uma troca – fria – entre um bem ou serviços por dinheiro passa a ter uma conotação mais humana.

Consumir é assumir a responsabilidade por toda a cadeia do produto ou serviço, é consumir para ter uma vida melhor no futuro, é reduzir o impacto que causa no mundo, é compartilhar com os outros e com uma comunidade, é colaborar e fazer escolhas inteligentes.


2.Consumo de Experiência

Vimos que no consumo compartilhado não queremos mais comprar, queremos usar somente quando for necessário.

Para que comprar um carro se podemos usar somente quando necessitamos, para que uma casa na praia se podemos viver nela apenas nos fins de semana ou férias. Queremos experimentar sem ter que comprar.

O compartilhamento surge como uma oportunidade e ainda um chamariz para a experiência.

Queremos conexão, vivências, trocas, sentimentos, emoções, lembranças. E é isso que se consome quando se fala em Consumo de Experiência

Foi através das possibilidades deste compartilhamento e do avanço das tecnologias que o consumo de experiência conseguiu se popularizar, democratizar e tornar acessível a grande maioria das pessoas.

Que casa muito bem com o consumo consciente e a preocupação de que a cada ano que passa temos menos recursos disponíveis para gerar todos os produtos que consumimos, neste caso leia-se compramos.

Viajamos para comprar coisas, passeamos para comprar coisas, usamos as compras como forma de tirar o estresse. Este pensamento – o consumismo, segundo as tendências de consumo estão com os dias contados.

De um estilo de vida que gera vazios, frustrações, um ciclo infinito onde se compra um desejo e logo em seguida surge outro, se dá mais valor as coisas do que às pessoas, uma vida cheia de contas a pagar e no fim o endividamento piorando o quadro da depressão e ansiedade; caminhamos para um estilo onde o foco não são objetos, são vivências que nos enriquecem não no sentido material, mas de vida. São recordações do passado se reconectando.

Quanto mais forte forem essas sensações mais marcante será esse consumo.

No consumo de experiência são os sentimentos, emoções que a experiência traz que são mais valorizadas do que o status que o produto ou serviço tem.


2.1.Tendências que levam ao consumo de experiência

Segundo as tendências detectadas pela WGSN, celebrações, jantares de experiência, festivais, gastos em parques de diversão, museus pop-up estão em alta.

É mais importante a conexão com família e amigos do que com os círculos sociais. Viajar se traduz em viver, sentir, experimentar, conviver, conhecer e se conectar com nativos.

Não a toa que já existem kits de presentes que são dias em SPA, jantares temáticos, entrada em festivais, ou mais radicais como escaladas, observação de pássaros e muitos outros.

Vimos na revista Consumidor Moderno uma tendência que é o Consumo Pós-humanização, é exatamente um olhar mais para os impactos que causamos, um olhar questionador, holístico. Onde o ser é mais importante do que o ter.

E para isso ele quer adquirir bagagem e conhecimento, vivências. Nesse sentido para atender aos consumidores mais humanizados as experiências serão muito mais importantes do que o ato de comprar.

Outra tendência apontada pela revista que também reforça o consumo de experiência, é a Hiperecologia. É assumir que estamos degradando o planeta e dentro em breve o consumo (as compras) se tornarão insustentáveis. A solução? Mais experiências, menos posse. Mais degustação, mais enxergar, sentir, tentar, provar, testar e saborear.

Essas tendências são o Consumo Consciente puro.

Você não é aquilo que possui

3.Experiência de Consumo

A Experiência de consumo já não está tão ligado ao consumo consciente, a relação é mais indireta, e não é a mesma coisa do que Consumo de Experiência.

Experimentar o consumo está dentro da Era da Experiência e significa a vivência sentida ao longo do processo de aquisição de um bem, do primeiro contato ao pós venda.

Enquanto que no Consumo de Experiência o que se busca é vivenciar algo, na Experiência de Consumo o objetivo é a experiência que o consumidor tem durante e após a prática de comprar.

Nada impede que essa experiência de compra esteja também relacionada a vivenciar uma experiência. Como por exemplo comprar ingresso para um parque temático onde o vendedor é um robô e os atrativos do parque possuem QR Code com dicas, curiosidade para tornar a experiência vivenciada no parque mais emocionante.

O que se pretende ao levar o consumidor a ter uma experiência de compra é que ela seja marcante o que aumenta as chances da concretização da compra, bem como a fidelização da marca. Aqui também quanto mais forte e positivos forem os sentidos que ocorreram durante a compra maior impacto também positivo será da marca ou produto.

A Era da Experiência, que vem para substituir a Era da Informação, se vê por exemplo na realidade virtual ou aumentada, inteligência artificial, internet das coisas, 5G. E toda essa tecnologia como um todo está oportunizando experimentar os produtos antes da compra.

Dentro dessa experiência de consumo a tendência apontada pela PWC é no sentido que as informações e opções sejam claras, transparentes, simples. Onde é possível com praticidade obter todas as informações necessárias para decidir se o produto atende ou não aos meus interesses (leia-se ética, governança, sustentabilidade, respeito e diversidade). Um ambiente tranquilo e calmo, o consumidor não quer mais que seja invadido, persuadido, induzido e influenciado nas suas decisões de compras.

Para a Digitaltalks essa tecnologia que está nos levando a Era da Experiência, permite este novo momento do consumo, o ser passando a ser mais importante do que o ter.

Então nestes aspectos a Experiência de Consumo se aproxima do Consumo Consciente.


4.O consumo de Experiência e a Experiência de Consumo juntos pela Educação Financeira

Consumir Experiência traz um impacto positivo no Orçamento Doméstico a partir do momento em que aquilo que vivenciamos é mais importante do que o que possuímos.

Uma clara oposição ao consumismo.

E o consumismo não é o inimigo do orçamento?

Com certeza.

Quando olhamos mais para aquilo que sentimos, degustamos, experimentamos, provamos, saboreamos estamos automaticamente dando menor valor às coisas.

Porém, este novo alhar sozinho não vai melhorar o orçamento. Pois podemos gastar tudo o que temos e muito mais com experiências. O estrago financeiro pode até ser muito maior. É preciso tomar um conjunto de ações e cuidados para ter um equilíbrio financeiro.

Além do mais consumir experiências que degradam o meio ambiente, destroem a comunidade ou que de alguma forma trazem impactos negativos também não é o que essa tendência propõe.

O consumo de experiência faz parte de um todo para nos tornar consumidores conscientes. É preciso entender a sua essência, que é parar de consumir coisas e respeitar as pessoas, os ambientes, as comunidades e o seu bolso. Aí sim podemos usar o consumo de experiência como um estilo para manter o equilíbrio financeiro.

Já a Experiência de Consumo deve vir junto com a consciência de onde e com o que se está gastando. Durante esta experiência aproveite para analisar e pesquisar para só então decidir pela compra ou não.

Preste atenção para não se deixar levar pelas emoções que essas experiências querem provocar. Lembre-se que um dos objetivos desses momentos é fazer com que compramos os produtos. Nos se deixar levar pelos sentimentos, e sabemos que ele tem um poder muito grande quando nos referimos ao consumo.


Conheça as outras tendências:

O consumo consciente assumindo o lugar do consumismo. Para onde vai o consumo? I.

Consumir e contribuir ao invés de possuir, todos ganham com a economia compartilhada. Para onde vai o consumo? II


Fontes:

Akatu

PEREIRA, Cláudia da Silva; SICILIANO, Tatiana; ROCHA, Everardo. Consumo de experiência” e “experiência de consumo”: Uma discussão conceitual. Logos, [S.l.], v. 22, n. 2, mar. 2016. ISSN 1982-2391. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/logos/article/view/19523/16043>. Acesso em: 01 out. 2021. doi:https://doi.org/10.12957/logos.2015.19523.

PWC

WGSN

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