Os vários cenários – nada animadores – que os investidores devem ficar de olho em 2022

Este ano promete não ser nada fácil para os investidores que querem proteger o seu dinheiro da desvalorização, fazer render mais que a inflação e não ter prejuízo. Isto porque as projeções são nebulosas, incertas, confusas e voláteis.

Para isso devemos tentar “descobrir” como o mercado vai se comportar para conseguir acertar da melhor forma possível nas aplicações que atendam aos nossos objetivos e expectativas.

Um caminho é enxergar todos os cenários possíveis, o que eles representam e podem afetar os investimentos.

Tratamos neste artigo Estilos lesivos de lidar com o dinheiro – Não fazer planejamento nem pensar a longo prazo, como usar a teoria dos cenários para se planejar a longo prazo.

Não será tarefa fácil conduzir os investimentos ao longo do ano, pois alguns cenários apontados pelos especialistas são bem contraditórios. Mas existem também alguns consensos.

Fizemos uma coletânea do que os grandes especialistas já disseram ou publicaram até o momento, veja:

Eleições

Ano eleitoral é sinônimo de turbulências, muitas incertezas, desconfiança e muito dinheiro público no mercado

Tradicionalmente em um ano de eleição o mercado fica estressado, o que quer dizer volátil – muito sobe e desce. Isto pode levar inclusive ao índice do IBOVESPA repetir o fiasco de 2021, ficando no vermelho segundo projeções de alguns analistas.

Mas para outros acredita-se em um fechamento no azul, com crescimento em 20% (segundo pesquisa do Infomoney) em relação ao fechamento de 21. Isto porque a bolsa está barata neste momento o que incentivaria as aplicações.

Para a grande maioria dos investidores são as eleições que trarão o maior impacto nos índices econômicos, inclusive na taxa Selic. O mercado a enxerga a 12% já no primeiro trimestre.

Normalmente quando o mercado está com visão de incerteza como é o caso de eleições, os investidores tentam proteger seus investimentos no dólar. Isso faz com que a moeda se valorize ainda mais, mas cuidado, os outros países também caminham para aperto na economia e aumento de juros, o que poderá fazer com que o dólar sofra uma sacudida.

Muito sangue frio, pensamento a longo prazo para os investidores. Segundo Sigrid Guimarães, CEO da Alocc Gestão Patrimonial. “Em um ano eleitoral, o mais importante é não deixar o otimismo ou pessimismo do efeito manada corroer os investimentos”.

Este cenário exige diversificação mesmo dentro de uma classe (mesmo tipo de aplicação), de acordo com Stefan Castro, sócio e gestor da AF Invest “O investidor deve estar disposto aos riscos. Alguns títulos muito longos podem ser ainda mais voláteis do que a Bolsa. Para evitar perdas, é essencial diversificar”.


SELIC e IPCA

Inflação ainda (bem) viva e com isso os juros (SELIC) também, aqui e lá fora

A alta dos preços lá fora é um reflexo do desajuste da oferta e demanda provocada pela pandemia e da enxurrada de dinheiro público para minimizar os seus efeitos (só para lembrar: empresas pararam a produção, mas a população ganhou dinheiro vindos desses incentivos e começaram a gastar mais). E como remédio muitos Bancos Centrais mundo a fora – inclusive o Brasil aumentaram os juros. E vão fechar a torneira acabando com a enxurrada de dinheiro.

Aqui dentro além desses fatores podemos incluir a desvalorização do real, o que faz os produtos importados ficarem mais caros contribuindo com a inflação. E o rombo nas contas públicas.

Sem contar que as incertezas oriundas das eleições vão pressionar ainda mais a alta dos preços.

Menos dinheiro e preços altos se traduzem em juros mais altos. Como resultado as economias se enfraquecem.

Conforme o boletim da Focus divulgado em 12 de dezembro 21, a mediana da Taxa Selic irá terminar 2022 em 11,5%. Já para André Roncaglia, economista e professor da Unifesp, a taxa deve terminar entre 8 ou 9%.

A questão é que a taxa Selic impacta fortemente as rendas fixas, por isso antes de escolher onde aplicar deve-se analisar muito bem em qual tipo. Mas a Renda Fixa deve ainda assim ser melhor do que a Bolsa de Valores.

Não podemos esquecer que juros altos freiam o comércio porque o crédito ficou mais caro e como consequência a atividade econômica sofre.

Daí prestar muita atenção nas ações que estão diretamente ligadas ao varejo que vendem muito no crédito ou de consumo de itens extremamente necessários. Normalmente bens de maior valor são os mais atingidos.

Por isso leve essas considerações na hora de escolher qual ação comprar

“Vai ser um ano mais desafiador para a Bolsa. Os juros começam a ser um vento contrário e o patamar do qual estamos partindo com as ações já está bem esticado”, avalia Marcos Mollica, gestor do fundo Opportunity Total.

Os dividendos pagos aos acionistas também devem perder para a inflação. De um lado vai ser difícil achar empresas com bom lucro quando a economia vai mal, e mesmo se achar dificilmente alguma pagará mais de 10%, ou seja, menos que a inflação.


COVID-19

Pandemia uma incógnita

Percebemos no fim de 2022 que a pandemia está longe de acabar e imprevisível.

Haverá outro lockdown? Quais empresas serão prejudicadas pelas novas normas sanitárias que serão adotadas? Como ocorreu com setor educacional, de entretenimento, viagens, bares e restaurantes. Se as ações delas estavam em baixa será que vão cair mais ou vão conseguir se recuperar? Difícil arriscar.


POLÍTICA FÍSCAL

Instabilidade fiscal por conta do rombo nas contas públicas e das eleições

Os gastos públicos, já acima do aceitável tenderão a aumentar mais ainda principalmente por conta de ser um ano de eleições presidenciais.

Eis um excelente gatilho para mais desconfianças e mais volatilidade no mercado. Pressionando ainda mais a inflação e a desvalorização do real.

Conforme Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos “O dólar sempre reflete de uma maneira mais intensa e direta, a situação das contas públicas de um determinado país.”

Outro impacto da situação fiscal é nos Fundos de Ações, que já sofreram muito em 2021.


PIB

Perspectiva de crescimento (PIB) pífio

Boa parte dos analistas projetam um PIB pífio de 0,50% para 2022. Principalmente porque com o aumento dos juros a economia por si só já vai crescer menos.

Significa menos investimentos, menos gente ganhando dinheiro, ativos custando menos. Desta forma impacta também os preços das ações.

Ações baratas são uma oportunidade para quem quer um retorno de longo prazo.

Por outro lado, com menos crescimento o lucro das empresas também cai porque normalmente elas acabam acompanhando o ritmo do mercado.

Outra questão é com um PIB baixo a pressão sobre a inflação diminui e se vislumbra uma queda nos juros podendo incentivar o setor de construção.

Para um PIB baixo, Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos resume: “…olhando para investimentos, é ruim para bolsa e talvez positivo para ativos pré-fixados desde que a inflação dê sinais de desaceleração.”


FUGA DE CAPITAL

Estrangeiros (e brasileiros) tirando seu dinheiro do Brasil devido à percepção de aumento de riscos

A percepção dos estrangeiros é de que o risco Brasil está maior, por conta de todos os outros cenários que apontamos até aqui.

Isso se traduz em menos dinheiro vindo de fora para ser investido no país. O que leva ao aumento de dólar, menos dinheiro disponível para investimentos, mantendo desta forma o nível de desemprego alto e reduzindo a valor das ações das empresas.

Outro ponto que deve ser sempre observado é o cenário Macro. Somos uma comunidade Global, o que acontece lá do outro lado do planeta nos afeta aqui com pessoa física. Como por exemplo o crescimento da China e o destino de seus investimentos. E também a economia (lê-se juros) dos Estados Unidos são cenários que devem ser observados.


Resumão

Como todos esses cenários desenhados de incertezas, os que mais impactarão serão as eleições e a inflação com consequência a alta dos juros, especialistas são unanimes; diversificar é o caminho:

Podemos resumir do que nos espera 2022 com esta nota de Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb “A análise da performance dos investimentos no ano mostra que o investidor que possui uma carteira diversificada consegue performar bem mesmo em cenários adversos, já que equilibra sua renda em ativos diferentes, e não fica refém de volatilidades ou dos impactos diretos da inflação”.

E ainda acrescenta: “Se a pessoa possui investimentos em renda fixa, ativos brasileiros, ativos estrangeiros e criptomoedas, é muito provável que a sua rentabilidade total esteja superando a inflação. E caso não seja este o seu portfólio, vale repensar a sua estratégia de aplicações para o próximo ano”.

Rodrigo Sgavoli, Head de alocações e fundos do Research da XP Investimentos também concorda: “Você ter uma carteira diversificada ajuda a passar por qualquer tipo de adversidade no mercado”

Em diversificar considere investir fora do país. Aplique no exterior com visão de longo prazo.

Fontes

CNN BRASIL: Ano de Renda Fixa

Estadão: Onde Investir em 2022 e Impacto PIB Negativo

Infomoney: Das analises mais pessimistas para os cenários mais otimistas. O que esperar de 22

Isto é Dinheiro: Aplicações para ficar de olho em 22

Nexo Jornal: Racionamento Energia pode zera crescimento em 22

Suno: Melhores investimentos para 2022

Você SA: Como investir em 2022 e Bye Bye Brasil

XP Investimentos: Onde Investir em 2022

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